INTRODUÇÃO
Após a travessia do Mar Vermelho o povo de Israel
prosseguiu sua jornada pelo deserto, passando pelo Sinai. Na aula de hoje
extrairemos algumas lições espirituais a partir desse trajeto, destacando a
importância da dependência em Deus, mesmo nas adversidades. Antes demonstraremos
o percurso seguido, enfocando o período que o povo permaneceu diante do Monte
Sinai. A principal instrução que retiramos dessa caminhada é o foco na
maturidade, cientes de que Deus está interessado não apenas em nosso êxito,
mas, sobretudo, em nossa maturidade, para tanto, não nos poupará de situações
desagradáveis.
1. A PEREGRINAÇÃO DE ISRAEL PELO DESERTO
A vida é composta de altos e baixos, de vitórias e
derrotas, cantamos, e logo em seguida, pranteamos. Ninguém está isento de
passar por adversidades, a caminhada do cristão é sempre desafiadora (Jo.
16.33). Na escola de Deus a prova vem antes, e o aprendizado somente depois. Para
alcançarmos maturidade precisamos focar menos em nós mesmos, e mais em Deus. O
povo de Israel, ao longo da jornada, estava preocupado em o que comer ou beber
(Ex. 15.22-27). A ansiedade em relação ao futuro é uma demonstração de falta de
maturidade espiritual. Jesus ressaltou que os gentios, e não aqueles que têm
fé, são os que vivem demasiadamente preocupados (Mt. 6.21, 25-33). Deus sabe
quais são nossas necessidades, Ele está atento ao que precisamos, mas, às
vezes, somos conduzidos pela ganância, esquecemos-nos de orar pelo pão de cada
dia (Mt. 6.11), e deixamos de exercitar o contentamento (Fp. 4.11). Além disso,
como aconteceu com os israelitas, nos deparamos com as águas amargas. E não
podemos murmurar, pois assim seremos reprovados pelo Senhor (Tg. 1.12-18; Hb.
12.1-11). O povo de Israel reclamava com facilidade, demonstrando, assim, falta
de confiança em Deus (Ex. 16.1-12; Nm. 14.2; 16.41; 17.1-10; Dt. 1.27; Sl.
78.17). Mas o povo não se queixou apenas pela falta de água potável,
angustiou-se também pela falta de alimentação. Os israelitas se voltaram para o
passado, lembrando-se das “panelas de carne” do Egito, e do alimento que tinham
em abundância (Ex. 16.3). O Deus de Israel, no entanto, é Aquele que supre as
necessidades, disse que à tarde teriam carne para comer (Ex. 16.8) e pela manhã
choveria pão do céu (Ex. 16.4). Os seguidores de Cristo devem priorizar o reino
de Deus, e a sua justiça, o essencial para a subsistência será providenciado
pelo Senhor (Mt. 6.33). O Deus que forneceu o maná no deserto, para os hebreus,
também deu instruções, para que o povo depositasse sua confiança nEle, por isso
o alimento deveria ser guardado apenas para o dia (Ex. 19.21), com uma provisão
suficiente para o sábado (Ex. 16.23).
2. ISRAEL
DIANTE DO MONTE SINAI
A chegada do povo de Israel ao Monte Sinai foi um
cumprimento da profecia do Senhor, entregue através de Moisés (Ex. 3.12). Os
israelitas estavam diante do Monte de Deus, e ali permaneceriam pelos próximos
onze meses. Moisés subiu o monte para ter um encontro pessoal com Deus. Aquele
foi um momento singular não apenas para Moisés, mas para todo o povo. Mas antes
o povo caiu no pecado da idolatria, ao se prostrarem diante de um bezerro de
ouro (Ex. 32.1-8,25). Atrelado à idolatria estava a promiscuidade, uma desonra
aos olhos do Deus de Israel. Os cristãos devem ter cuidado para não cair no
mesmo erro dos hebreus, devem fugir do pecado da idolatria, para não deixar de
dar glória a Deus (I Co. 10.7). Para tanto, devem lembrar que são propriedade
de Deus, escolhidos para viver em santificação (Ex. 19.5), também viver em
santificação, como sacerdotes do Senhor (Ex. 19.6). Em Cristo somos, agora, uma
nação santa, povo adquirido, retirado das trevas para viver na luz do evangelho
(Ex. 19.6; I Pe. 1.15; 2.5,9). Como povo separado para o Senhor, precisamos
viver dignamente, distanciados do mundo. O povo de Israel também deveria
permanecer nas imediações do Sinai, de igual modo precisamos nos aproximar de
Deus, pelo vivo caminho preparado por Jesus, no calvário (Hb. 10.20). Ao mesmo
tempo em que nos aproximamos, também devemos reconhecer a grandeza do Senhor
(Dt. 5.22-27). O Deus dos cristãos é de amor, mas também é fogo devorador (Dt.
4.24; Hb. 12.29), isso deve servir de motivação para uma vida de temor e tremor
diante do Senhor (Fp. 2.12).
3. O PECADO
DE IDOLATRIA DOS ISRAELITAS
O povo de Israel prometeu obedecer a Palavra do
Senhor (Ex. 19.8; 24.3), mas o próprio Deus estava ciente de que tal promessa
não seria cumprida (Dt. 5.28,29). Quando Moisés subia o monte, os hebreus
ficaram impacientes, o que os conduziu ao pecado. Paciência é uma virtude para
aqueles que estão caminhando rumo à maturidade (Sl. 40.1). Por outro lado,
aqueles que vivem a partir da natureza pecaminosa, tendem à desobediência, ao
distanciamento do Senhor. O povo de Israel mostrou inicialmente essa propensão
no Egito, ao se prostrarem diante dos deuses daquela nação (Js. 24.14). Durante
a peregrinação pelo deserto, e em decorrência da demora de Moisés, o povo
instigou Arão a providenciar um “deus substituto” (Ex. 32.2-6). Eles trocaram a
glória do Deus invisível pela imagem de um bezerro, um animal quadrúpede (Sl.
106.19-23). O povo recebeu a recompensa pelo seu pecado, isso porque o pecado
traz consequências, o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23). A lei da
semeadora permanece, o que plantamos é justamente o que colhemos (Gl. 6.7,8). Por
isso o povo de Deus precisou ser disciplinado para aprender a obediência, o
próprio Moisés, como líder, descontrolou-se, ao quebrar as tábuas da Torah (Ex.
32.19,22). O Senhor não admite conchavos com o pecado, a opção é posta, entre
uma vida de santidade ou de pecado. Os bezerros de ouro devem ser destruídos de
nossas vidas, não podemos substituir a glória de Deus por uma vida devotada aos
ídolos (Ex. 17.1-7). Depois daquele episódio Moisés retornou ao Monte Sinai,
onde permaneceu por quarenta dias e noites, jejuando e orando, intercedendo
pelo povo. Aqueles que exercem liderança devem manter o equilíbrio, e
investirem espiritualmente com vistas ao crescimento dos seus liderados.
Precisamos permanecer em contato com o Senhor, sobretudo dando o exemplo na
comunhão com Deus (Nm. 12.1-8; Dt. 34.10). Também não podemos perder o
equilíbrio emocional diante da rebeldia, antes devemos disciplinar com amor e
orar para que as pessoas se voltem para Deus (Ex. 32.30-34; 34.28; Dt.
9.18-20).
CONCLUSÃO
Como o povo de Israel estamos todos em uma
peregrinação, caminhando pelos desertos da vida. O Senhor tem nos dado Sua
revelação, através da Palavra escrita, mas também em Cristo, o Verbo que se fez
carne (Jo. 1.1,2; Hb. 1.1,2). Como povo separado de Deus, escolhido para viver
em obediência, sobretudo em amor ao Senhor, devemos fugir da idolatria (I Jo.
5.21). Enquanto estivermos em direção à terra prometida, devemos aprender a
confiar no Senhor, e a depender da Sua providência, contentes com o que Ele nos tem dado (Hb. 13.5).
BIBLIOGRAFIA
SWINDOW, C. R. Moisés:
um homem dedicado e generoso. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.
WEIRSBE,
W. W. Exodus: be delivered. Colorado Springs: David Cook, 2010Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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